Amor e igualdade no Arraial Lisboa Pride '17

Review do Arraial Lisboa Pride ’17: De Estreante para Estreante

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Portugal precisa de mais cor, amor e calor. E foi ontem, dia 24 de Junho, que, mais uma vez, a festa se fez em todas as cores do arco-íris no Arraial Lisboa Pride 2017, que conta já com 21 edições, tendo como pano de fundo o Tejo e o Cais do Sodré, decorrendo no Terreiro do Paço.

Comité de boas-vindas e entrada nos festejos

A recepção da multidão começou com uma marcha acompanhada pelo grupo de percussão da Associação Tocándar como comité de boas vindas a todos os que pretendessem passar pelo evento, percorrendo a Rua Augusta. Seguida por centenas de pessoas vestidas e adornadas a rigor para o evento, desde um pénis insuflável que liderou a chegada do grupo numa bicicleta, até ao Terreiro do Paço. Também membros integrantes da Associação A Avó Veio Trabalhar, que animaram e deram bastante calor aos corações de muitos dos  LGBTI+ presentes no evento.

Com começo por volta das 15 horas, a praça já enchia por completo por volta das 19 horas, com um ambiente bem acompanhado pela DJ MissWonder até às 18 horas, que se seguiu pela atuação do coro CoLeGaS e Pink Noise.

O tempo ameaçava chuva mas felizmente as cores e energia que se viviam na praça afastaram quaisquer nuvens mais ameaçadoras. Isto para felicidade das muitíssimas pessoas que se mantiveram pela baixa lisboeta na passada noite até às 4 da manhã, acompanhando de perto todo o entretenimento e todas as atividades que a excelente organização da ILGA havia planeado para os presentes.

 

ILGA, stands e animação

Eram muitas as atividades, diversão e sensibilização. Existiam grupos a fazer sensibilização sobre doenças sexualmente transmissíveis, nomeadamente HIV, (testes gratuítos para HIV e Hepatite A), distribuição de contraceptivos, conversas temáticas, pinturas faciais, bancas para aquisição de bandeiras e muitos, muitos arco-íris que encheram a praça, combatendo quaisquer discriminações.

A união foi constante, devendo dizer que as pessoas foram todas muito divertidas e emanavam simpatia, comunhão, e espírito de igualdade. Definitivamente um ótimo evento para visitar com amigos, com entes queridos: sejam muitos ou poucos, fazem a festa no meio deste ambiente soberbo.

Estive brevemente na presença da Dani Bento numa conversa íntima do grupo GRIT sobre o tema da transsexualidade no Welcome Center da ILGA onde abordámos diversas temáticas, nomeadamente a toma de hormonas, transição, custos. Os apoios aquando da tomada de decisão de proceder às cirugias de mudança de género, a necessidade ou não da tomada desse passo e os seus custos e implicações, FTM, MTF, fluidismo e não-binaridade de género.

 

Lisboa, foi uma cidade coberta pelas cores do arco-íris

 

Embora estivesse presente brevemente, e me identificando como uma mulher cisgénero, ouvir os testemunhos dos presentes foi bastante esclarecedor caso tenha de os fazer chegar a alguém que pretende fazer uma transição. Foi gratificante a partilha de experiências que tive oportunidade de conhecer através dos breves minutos em que estive no Welcome Center da ILGA à conversa com os participantes da reunião da GRIT, que decorreu das 19 às 20 horas.

Entre as 20 e as 24 horas, um atelier, Drag Yourself, abriu portas para todos os entusiastas da cultura transformista e drag, convidando os participantes para uma transformação drag. Enquanto isso, no palco principal estavam até às 20:30, a DJ MAG ficou encarregue de nos fazer chegar clássicos de artistas como Beyoncé, Justin Timberlake e Rihanna, seguido por uma pausa na música até às 22:30, sendo que as rédeas do palco principal foram entregues ao grupo Moullinex.

 

Música para animar a noite

Uma noite recheada que parecia prometer, e que, segundo o que vi, prometeu mesmo, imenso. O amor e igualdade aqueciam a noite enquanto os milhares de participantes ansiavam a presença da artista Kátia Aveiro, que se manteve a dar música ao público do Lisboa Pride até à 1:00 da manhã. No Welcome Center acontecia um show de pole dance e striptease com a professora de pole dance do Centro LGBT, Marina Mey.

A diversão e música continuaram até às 4 da manhã com The Ballroom, Rita Zukt e Nuno Lopes a fechar o cartaz deste dia arco-íris.

Sem dúvida um evento extremamente bem organizado com diversidade de atividades a não perder, para amigos e família, com um excelente poder de integração entre membros da comunidade. Devemos agradecer fortemente ao esforço da ILGA e dos seus associados e voluntários que tornaram esta, e as outras edições deste evento, tão concisas e tão bem preparadas.

Para aqueles que nunca tiveram possibilidade de estar num evento LGBTI+, recomendo vivamente visitarem o evento na sua próxima edição, pois são muitos os recursos que são feitos chegar, incluindo este momento de diversão anual memorável.

2 meses ago

2 Comments

  1. Como se pode recomendar a ida das pessoas a Lisboa, se ha jovens e adultos que não tem dinheiro para comer, que estão desempregados e que vivem noutras zonas do país! Que centralismo e este? Todos pessoas não tem direito,de se divertirem? As associações LGBTI, no caso do arraial ,só estão focadas para a capital?

  2. Um bom registo deste dia, ainda que com algumas falhas. Tendo foque na comunidade LGBTI porque é que não usam uma linguagem inclusiva no artigo/site?
    Quanto ao comentário do António, percebo legitimamente a questão das distâncias e fome, mas como acha que se deve resolver? A ILGA passar a organizar prides em todas as cidades de Portugal? Pagar a viagem a todos e a todas as pessoas LGBT deste país?.. Ou passar a organizar prides só para quem é associada/o? Sejamos então mais construtivos nos comentários e menos no apontar do dedo. Enquanto associação que luta pelos direitos das pessoas LGBT certamente que as pessoas da ILGA têm uma visão muito mais real do retrato do país do que qualquer pessoa de fora (eu e você incluido)
    Não sou de Lisboa e fui com amigos, juntamos dividimos gasolina e fomos. Tal como faço quando quero ver concertos no coliseu…

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